Escola Eleática

A Escola Eleática surgiu no século VI a.C., destacando-se por sua abordagem filosófica em relação a questões fundamentais sobre a o ser, contribuindo para o desenvolvimento do pensamento metafísico.

Principais Filósofos Eleáticos

A Escola Eleática foi notavelmente representada por três filósofos proeminentes: Parmênides de Eléia, Zenão de Eléia, Melisso de Samos e Xenófanes de Cólofon.

Parmênides de Eléia

Parmênides, nascido por volta de 515 a.C. em Eléia, foi um filósofo grego e o fundador da Escola Eleática. Sua obra mais conhecida, “Sobre a Natureza” (Perì Physeos), é um poema filosófico que aborda questões fundamentais sobre o ser, composta por aproximadamente 160 versos, divididos em três partes: a proêmio (introdução), a parte central que aborda a verdade do ser e a parte final que explora as aparências enganosas do mundo.

Parmênides defendia a ideia de que o ser é uno, imutável, eterno, imóvel e homogêneo, rejeitando a noção de que o não-ser poderia existir.

Para Parmênides, a mudança e a diversidade observadas no mundo são ilusórias. O conhecimento verdadeiro só poderia ser obtido através da razão, não dos sentidos, e que as percepções sensoriais eram enganosas. Ele apresenta dois caminhos de investigação: o caminho da verdade, baseado na razão e na compreensão do ser imutável, e o caminho da opinião, que se baseia nas percepções sensoriais e é propenso a erros.

Zenão de Eléia

Zenão de Eléia, contemporâneo e discípulo de Parmênides, foi um filósofo grego cujas contribuições notáveis se encontram principalmente nos seus paradoxos, desafios lógicos e argumentos destinados a sustentar as ideias de Parmênides. Ele nasceu por volta de 490 a.C.

Paradoxos de Zenão

1. Aquiles e a Tartaruga

No paradoxo de Aquiles e a Tartaruga, Zenão argumenta que Aquiles, mesmo sendo mais rápido, nunca alcançará uma tartaruga que tenha uma vantagem inicial, uma vez que para alcançá-la, Aquiles primeiro deve atingir o ponto onde a tartaruga estava, enquanto esta terá se movido um pouco mais adiante.

2. A Flecha em Voo

No paradoxo da Flecha em Voo, Zenão questiona como uma flecha pode se mover no espaço. Ele argumenta que, em qualquer ponto dado, a flecha está imóvel, pois o tempo é dividido em instantes indivisíveis.

3. Paradoxo da Dicotomia

O paradoxo da Dicotomia sugere que, para percorrer uma distância finita, é necessário percorrer infinitos pontos, o que é logicamente impossível. Isso provaria a impossibilidade do movimento.

Melisso de Samos

Melisso, nascido em Samos no século V a.C., sucedeu Parmênides e Zenão como um dos principais representantes dessa escola filosófica e contribuiu para a elaboração das ideias eleáticas, embora tenha desenvolvido algumas modificações em relação às doutrinas de seus predecessores.

Ao contrário de Parmênides, Melisso criticou a ideia de que o ser é uno e imutável. Ele introduziu a noção de que a realidade é infinita, ilimitada e eterna.

Assim como Parmênides, Melisso rejeitou a ideia de não-ser como algo inexistente. Ele argumentou que o não-ser é inconcebível e, portanto, não pode ser considerado como parte da realidade.

Xenófanes de Cólofon

Xenófanes de Cólofon, embora não seja estritamente um membro da Escola Eleática, é frequentemente associado a esse movimento filosófico devido às suas contribuições e influências sobre os eleatas. Nascido em Cólofon por volta de 570 a.C., Xenófanes foi um poeta e filósofo que abordou questões fundamentais sobre a natureza do divino e do conhecimento.

Xenófanes é conhecido por sua crítica às representações dos deuses na mitologia grega. Ele propôs uma visão mais abstrata e transcendente do divino.

Contrariando as visões politeístas de sua época, Xenófanes defendeu a existência de um único deus supremo e imutável. Esse Deus era concebido como uma entidade divina que transcende as limitações humanas e está além da compreensão humana.

As ideias de Xenófanes, especialmente sua ênfase em um Deus único e transcendente, influenciaram indiretamente a Escola Eleática. Sua crítica às representações antropomórficas dos deuses alinhou-se com a abordagem mais abstrata e monística dos eleatas.

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